Não deveria ser assim. Eu sei, e eu não escolhi. Eu decidi. Por tempo indeterminado. Decidi dar outro murro na ponta da faca que me corta sempre. Resolvi que eu preciso sim tentar, pra saber o que vai estar me esperando depois. Eu agora não tenho muito controle, mas pelo menos sei que tenho mais que outra pessoa e sei também que talvez dessa vez, a outra pessoa precise mais de mim. Não sou forte, continuo muitíssimo fraca e agora, sem esconder isso de ninguém. Da mesma forma que vi muita gente quebrando a cara e não pude fazer nada, apenas esperar e oferecer meu colo, espero do fundo do coração que as pessoas que estão a minha volta façam o mesmo. Eu preciso de vocês. Enquanto isso, vou ouvindo um desaforo aqui, um eu te amo ali, até que eu mude de ideia.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Pros seus dias nada fáceis
Dear F
Eu sei que é meu aniversário e que você devia estar me adulando e não o contrário, mas acho que é mais do que merecido. Já dá pra usar todos os dedos de uma mão pra contar os anos que temos de amizade, mas nem se multiplicarmos isso por qualquer número existente, não dá pra contar o quanto eu gosto de você. Amizade assim eu nunca vi, nem nunca vivi. Nós ficamos amigas sentadas numa mesa de bar, e sei lá quanto tempo não fazemos isso mais, eu sinto falta. Mas hoje sentadas no estacionamento eu vejo mais você, me dedico mais a você, e acredite, hoje você pode contar mais comigo do que nunca. Eu confio em você como se fosse uma extensão minha, e tem horas que eu acho que é mesmo. As dores abdominais das provas, as neuroses, as tpms, os nervosismos e até a vontade de beber aquela cerveja*. Tem coisas que ninguém entende, e ninguém vai entender. O que eu gastaria anos explicando a outras pessoas, você entende com o olhar. E nenhum problema não conseguiu nos afastar. Por mais que a gente passou por muita coisa, cada uma na sua vida, e tomou rumos muito diferentes, mesmo uma não concordando muito com o destino da outra, o que nos une não parece nos deixar apartar. Meus dias tão sendo chatos e nada fáceis. Os seus menos ainda. A gente parece estar se escorando, como se sem a outra, não fosse possível. E eu rezo (juro que é verdade), para que você sempre esteja aí, nem que esse aí esteja a 130km da minha cidade e a gente passe as férias inteiras sem se ver. Nem que seja lá em londres tendo que dar um jeito pra se falar e principalmente mandar sms. Mas sem você não dá. E eu te desejo só o melhor, só o que a vida puder te oferecer de melhor, só o que for realmente seu, só o que você puder passar e ninguém mais possa. E saiba que eu estou torcendo por você. E que se der certo, quero ser madrinha do casamento e se der errado, vai ter sempre um lugarzinho no estacionamento pra gente curar tudo. I'll always be there for u. Always S.
*inclua outros se preciso for.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
estômago comprimido
De um jeito meio fúnebre, eu esperava o sorriso, o eu te amo que não vinha. Eu sorria de volta achando que seria como quando eu bocejo. Ele não sorriu. Pelo contrário, continuou me olhando, com aquele olhar que ninguém vai conseguir repetir, nem eu, com meus melhores reflexos. Foram os gritos? Foi o cinto no pescoço? Foi o roxo e o murro? Eu não quis perguntar, eu poderia, mais hora, menos hora, saber a verdade. E ela iria me cortar.
Ele olhava nos meus olhos como se precisasse entender que lá dentro ainda havia algo meu, algo tipo vida. Mas exatamente do jeito que ele imaginou que seria, tudo o que havia naquele monte de cor castanha, era seu rosto, quando muito, a tv atrás dele. Ele até tentou se desculpar, mentalmente, eu imagino. Ou eu preferi acreditar assim. Me era mais saudável (?). Pegando a minha mão e dizendo coisas de fone desligado, desculpa, não consegui te ouvir, pode repetir? Não, não repita, já doeu o bastante ou talvez até mais do que isso.
Eu dei um sorriso e aquela obesa lágrima me entregou. Passa filme, novela, seriado, tudo na minha mente, qualquer coisa que tenha sido minha vida, mas não passa nenhum eu te amo seu. Por quê? Penso que eu estava embebedada com meu próprio amor por você pra conseguir ser amada. Ou então você simplesmente não disse, não com os olhos, ou com as mãos, ou com o coração. Boca é algo que não se mistura com amor, ela pertence ao quadrado do sexo. Dizer te amo com a boca é o mesmo que eu pedir pra você ficar. Não funciona.
Apesar do meu pesar, eu aguardei ele não virar as costas. Ele virou? A minha vista já estava bastante nublada pra saber o que estava acontecendo. Acho que não virou porque acordei no meio da noite e ele estava lá, dormindo, de boca aberta e aqueles olhos que não param de virar e revirar. Até acho que o que me acordou foi seu ronco. Aquele baixinho que eu adoro imitar. Deve ser amor mesmo.
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