quinta-feira, 28 de março de 2013

pascal

- Nos veremos novamente?
Ela me olhou nos olhos e eu fiz que sim com a cabeça. Eu não sei se consigo encontrá-la de novo. Eu quis tanto ela antes que não sei o que fazer com isso agora. Ela tem essa coisa no rosto que me prende, sei lá, os grandes olhos, a boca pequena, que mentalmente sempre me convidam pra ficar. Eu até pensei que ia passar a vida sem ter a chance de enroscar meus dedos nos seus longos fios de cabelo. E de repente estava eu, sentado no sofá da sala dela, com uma mão suada na sua cintura e a outra deslizando entre seu cabelo e pescoço. Ela me deixa nervoso. Daquele jeito que você acha que só acontece em filmes. Porque na vida comum você conhece alguém, gosta de alguém, dá errado e você segue em frente pra começar tudo de novo. Com ela eu queria que desse certo. E eu fico nervoso sem saber se vai mesmo dar, sabe? Esse tipo de garota deveria não existir, elas fazem a gente se sentir tão inferior. É isso, com ela sou um anão. Perco minha grande estatura, meus músculos, meus óculos e meus cigarros, eu fico indefeso. Eu tento ficar engraçado ao lado dela, daí quando ela começa a rir eu faço de sério. É que é pra ela pensar que sou divertido, mas que sei passar segurança. Como eu sou idiota. No meio do beijo eu consegui ficar tão nervoso que meu deu vômito, ela não viu, mas eu vi e vou morrer de vergonha de mim pro resto da vida. Fingi qualquer coisa pra sair de lá. Por que? Porque eu sou um estúpido, ela finalmente me sorriu com os olhos e eu corri. É isso que acontece em todas as minhas páscoas, quero um ovo, ganho um ovo, e ele perde por eu não saber se está na hora certa.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Definindo.

Eu acordei hoje assim. Não me culpe, dividir a cama com você sempre me faz bem, apesar das minhas costas reclamarem. Eu quis tanto isso. Quis tanto acordar e te ver, deitadinho do meu lado. Te dar um beijo e sorrir. Pra te acordar, cochicho no seu ouvido 'bom dia'. E você abre um olho e o sorriso mais lindo que o mundo deixa existir de manhã. A gente brinca com o edredom, rouba travesseiros e ri bastante. Nossa vida é leve. É calma. E é nossa. Sem pressa, a gente curte a vida e os segundos, e principalmente um ao outro. Você é meu pote no fim do arco-íris. Não quero perder isso, não quero perder você, não quero perder quem eu sou do seu lado. Olha, não duvide, é você!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

docontra.

Foi assim, outra daquelas noites que tínhamos sempre. Com coca e doritos. A gente não tinha muita noção do que estava fazendo. Ou melhor, eu não tinha a menor ideia do rumo da minha vida. Ficar ali seria meu suicídio mental.
- Precisamos conversar.
- Eu imaginei.
Eu contei que eu era feliz nas primaveras, no verão e principalmente no inverno e no outono, passava dias constantemente felizes e despreocupados. Eu dormia a noite. Eu deixava meu telefone ligado mais vezes, ou pelo menos, atendia. Ele entendeu. Não funcionava. Funcionou. Por um certo tempo. Mas que culpa eu tenho de ser essa máquina de mastigar pessoas? Ainda contei o quanto detestava quando ele me ordenava. Eu não recebo ordens, darling. Nós fomos feitos para ser muito felizes. Só não avisaram que cada um no seu destino, em frases e fases separadas. Dois seres que tinham um futuro digno pela frente. Com uma linha infernal coberta de arames separando os horizontes. Pode ser que a culpa até foi minha. Não vou culpá-lo se disser isso para os nossos amigos. Eu sei ser complicada. Por fim, expliquei que o lulu santos foi sábio em dizer que 'não te quero mal, apenas não te quero mais'. Ele me xingou. Disse que sou um dinossauro insensível. Me chamou do nome de um amigo em comum, grosso. Me jogou várias pragas. Jogou um ou outro copo pro meu lado. E eu sorri, porque ironicamente, descobri que eu queria lutar com o destino pra me manter com aquele cara.