sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Rodo cotidiano.

Talvez seja esse mesmo o meu problema. A vida, saca? É que é assim, me saio bem de grandes situações, tanto boas quanto ruins. Mas falou em rotina. Vish. Não tenho conserto. Tento me reinventar mas continuo a mesma. E me frustro porque não consegui. Se consigo, me olho no espelho e noto que não sou mais eu. Acho ruim, tenho aversão à mudanças. Aí tento mudar alguma coisa que não seja em mim. Me chateio porque não consigo mudar as pessoas. Se eu consigo, fico apegada ao passado e à ideia do quanto eu era feliz e não sabia. Se eu me afasto e não me procuram eu fico revoltada. Se me procuram penso que estão precisando de mim. Eu não sei o que fazer do cotidiano. Não sei dar um passo na frente do outro quando não é pular só no meio dos azulejos. Não entendo direito como funciona essa coisa de acordar cedo, trabalhar, ficar cansada e ir pra casa dormir. E cadê a cervejinha? Cadê a madrugada que eu não vejo há sei-lá-quanto-tempo?
Eu sei, eu sei, reclamo volta e meia. Mas é por não saber o que fazer dos dias que são iguais aos outros. Não sei ser igual. Não sei ser diferente. E aí?

terça-feira, 7 de maio de 2013

friendzone.

-Você tem o mundo nas mãos, sabia?
Toda vez que eu falava algo desse jeito ela corava as bochechas, eu não sei, parece que ela sabia de tudo, mas não admitia. Ela se importava demais com a opinião dos outros. Precisava realmente parecer boa pra se aceitar assim.
-A gente é amigo a tanto tempo e você é uma das únicas pessoas que consegue me elogiar como pessoa, não como garota.
Senti minha perna em tremer, eu tinha TOC e fazia isso sempre que nervoso. Além da minha dislexia que dava um jeito de engolir muitas letras nas minhas frases. Eu fazia isso porque eu gostava dela. Gostava de cada pedacinho dela. Do cabelo que cada semana ela usava de uma cor e de um lado. Os chinelos havaianas gasto que ela nunca gostava de trocar. Daquele tanto de furo na orelha e penduricalhos nos pulsos. Dos devaneios momentâneos que ela gostava de ter. Pisquei duas vezes e olhei pra ela.
-Ainda acho que desde o início a gente tinha que ter criado apelidos. Adoro apelidos. Eu acho que poderia ser chamada de "rosa", meu sonho era que a minha vida fosse rosa. Você poderia ser... Não sei. Deixa eu olhar pra você e ver cara de quê você tem...
Droga. Ola estava olhando fixamente pra mim, provavelmente vendo minha testa e bigode suando.
- Primeiro eu pensei em azul. Porque sempre que eu penso em azul eu lembro do céu e do mar. Que pra mim é infinito, igual suas ideias. Mas te olhando assim de perto acho que tá mais pra verde, já que parece que você tá passando mal. Tá acontecendo alguma coisa?
Claro que estava, eu amava ela. Amava a mecha curta do cabelo atrás da orelha. A falta de simetria no seu rosto que dava um toque único e sutil pra tanta beleza junta.
- De onde tirou isso? Vamos terminar logo esse salgado porque tem trabalho agora e você sabe que tô precisando de nota.
-Você vai ser minha dupla né?
Hahaha, eu seria a dupla dela pra vida inteira, acordar juntos e dormir sentindo o cheiro de morango que ela tinha, faria dupla nas contas e nas viagens, nas noites de natal e ação de graças.
-Não devia, já que você não sabe a matéria, mas se for preciso te carrego nas costas.
-Você é o melhor amigo que alguém poderia sonhar!
Acho que não.

quinta-feira, 28 de março de 2013

pascal

- Nos veremos novamente?
Ela me olhou nos olhos e eu fiz que sim com a cabeça. Eu não sei se consigo encontrá-la de novo. Eu quis tanto ela antes que não sei o que fazer com isso agora. Ela tem essa coisa no rosto que me prende, sei lá, os grandes olhos, a boca pequena, que mentalmente sempre me convidam pra ficar. Eu até pensei que ia passar a vida sem ter a chance de enroscar meus dedos nos seus longos fios de cabelo. E de repente estava eu, sentado no sofá da sala dela, com uma mão suada na sua cintura e a outra deslizando entre seu cabelo e pescoço. Ela me deixa nervoso. Daquele jeito que você acha que só acontece em filmes. Porque na vida comum você conhece alguém, gosta de alguém, dá errado e você segue em frente pra começar tudo de novo. Com ela eu queria que desse certo. E eu fico nervoso sem saber se vai mesmo dar, sabe? Esse tipo de garota deveria não existir, elas fazem a gente se sentir tão inferior. É isso, com ela sou um anão. Perco minha grande estatura, meus músculos, meus óculos e meus cigarros, eu fico indefeso. Eu tento ficar engraçado ao lado dela, daí quando ela começa a rir eu faço de sério. É que é pra ela pensar que sou divertido, mas que sei passar segurança. Como eu sou idiota. No meio do beijo eu consegui ficar tão nervoso que meu deu vômito, ela não viu, mas eu vi e vou morrer de vergonha de mim pro resto da vida. Fingi qualquer coisa pra sair de lá. Por que? Porque eu sou um estúpido, ela finalmente me sorriu com os olhos e eu corri. É isso que acontece em todas as minhas páscoas, quero um ovo, ganho um ovo, e ele perde por eu não saber se está na hora certa.