terça-feira, 20 de maio de 2014

Ainda do mesmo jeito.

As dores abdominais voltaram. Pode ser stress, pode ser eu. Aquele eu seu. Aquele eu carente.
Nós evoluímos e eu não sei onde estou. Onde preciso estar então, não faço a menor ideia, ou tem algum sentido. Tento fazer dieta e me saboto, preciso malhar e vou tomar chopp. Necessito economizar e compro blusa de frio. Falo que vou diminuir o cigarro e a minha tosse só aumenta. Saio querendo ir e chego querendo voltar. Concordo com viagens absurdas sem mim, depois choro no travesseiro. Tento tomar remédio na hora certa e durmo. Tento parecer interessante mas ainda sou a velha cópia de 88. Os vinte e poucos anos em meses vão virar vinte e tantos mas olho no espelho e vejo meus dezesseis e meio. Não quero ouvir músicas cultas, quero ouvir o que o coração acelera pra colocar no repeat. Não quero saber se vai ter copa, quero tomar minha cerveja e xingar o juíz. Não tô me importando em quanto está ficando estádio, quero salário no fim do mês. Enfim, quero o piloto automático. E tá difícil.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

yes, you can.

Barbie.
Gostaria que fosse a última vez que precisamos nos falar. Nossos últimos encontros foram doloridos porém necessários. E eu olhando de longe consigo ver coisas que você não vê. Por isso venho humildemente te pedir um pouco de atenção.
Primeiramente. Onde está você, minha pequena? Você tem uma personalidade tão forte e tão imponente. Porque então eu só consigo ver outras pessoas quando olho para você? Porque só vejo você abrir mão de coisas que te agradam por 'um bem maior'? Que bem é esse que não está fazendo com que você possa dizer abertamente as coisas que você pensa, que você sente? Barbie, nós já conversamos sobre isso, você sabe que precisa mudar. Você sabe o que tem que fazer. Estou apenas pedindo que você olhe no espelho. Aquele grande que eu sei que você se admira. Cadê suas expressões transparentes? Pense.
Agora diga-me, o que você quer? O que você tem vontade? O que quer ser? Vai pra onde? Exato! Você está sem um norte, e se o seu norte estiver te esperando e você gastando todo esse tempo sentada aí? Olhe para frente e tente se ver. Você está aonde? Faça listas!
E o ápice da conversa, você está preparada para mudanças? Você está pronta para virar sua vida de pernas pro ar? E ainda assim, as pessoas do seu lado vão te apoiar? Você quer que as pessoas concordem com seus planos altos, mas não move um dedo para eles acontecerem, como você quer que alguém acredite na sua mente se ela só fica hibernando?
Você é capaz, você é bonita e não precisa de esmolas. Então vai. Pra onde você decidir. Mas vá! Se você se manter parada você vai receber o que já tem, e isso não te completa. Torço por você, minha bela. E eu acredito no seu futuro. Então vai. E me dê orgulho.
Beijos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

2 - Correndo.

Caminhei pra casa, não queira ouvir nenhum ruído que me lembrasse viagem. Nem carro, nem metrô, nem ônibus. Eu queria esquecer essa noite. Queria enfiar minhas mãos no bolso. E fumar ao mesmo tempo. Tanto isso quanto esquecer a coisa toda sobre a viagem era impossível.
Foi quando eu decidi voltar. Pra jogar todas coisas na cara dela. Jogar o quanto eu estava apaixonado e o quanto ela me entristecia com a vida que ela levava. Caminhei devagar. Evitando chegar. Evitando falar mais uma vez.
Chegando nos grandes portões eu me virei. Pra desistir mesmo. Queria não estar ali. Aí sentei na calçada, porque se eu ficasse de pé mais um minuto eu correria.
- Antônio?
Pois é, não era ela. Era a mãe dela.
- Dona Cecília! Não te vi lá dentro. Como vai?
Cecília era muito alta e muito bonita, mostrando ao jovem mundo que foi uma mulher maravilhosa. E a gente passava muito tempo conversando quando a Virgínia demorava a aparecer,  ou dormia.
- Antônio, aconteceu algo hoje? Virgínia está meio alterada.
- Você conhece a filha que tem, deve estar comemorando a viagem, já que me contou toda feliz.
- Ela te disse isso?
- Não, mas deu a entender.
- Ela nos engana tão facilmente.  Suspirou triste. - Eu a vi escrever uma carta aos prantos.
Dizendo isso ela saiu de cabeça baixa. E eu decidi que não era o melhor momento pra explodir um amor. Ela amava o remetente da carta chorosa. E para minha lamuria, não era eu.