quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Definindo.

Eu acordei hoje assim. Não me culpe, dividir a cama com você sempre me faz bem, apesar das minhas costas reclamarem. Eu quis tanto isso. Quis tanto acordar e te ver, deitadinho do meu lado. Te dar um beijo e sorrir. Pra te acordar, cochicho no seu ouvido 'bom dia'. E você abre um olho e o sorriso mais lindo que o mundo deixa existir de manhã. A gente brinca com o edredom, rouba travesseiros e ri bastante. Nossa vida é leve. É calma. E é nossa. Sem pressa, a gente curte a vida e os segundos, e principalmente um ao outro. Você é meu pote no fim do arco-íris. Não quero perder isso, não quero perder você, não quero perder quem eu sou do seu lado. Olha, não duvide, é você!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

docontra.

Foi assim, outra daquelas noites que tínhamos sempre. Com coca e doritos. A gente não tinha muita noção do que estava fazendo. Ou melhor, eu não tinha a menor ideia do rumo da minha vida. Ficar ali seria meu suicídio mental.
- Precisamos conversar.
- Eu imaginei.
Eu contei que eu era feliz nas primaveras, no verão e principalmente no inverno e no outono, passava dias constantemente felizes e despreocupados. Eu dormia a noite. Eu deixava meu telefone ligado mais vezes, ou pelo menos, atendia. Ele entendeu. Não funcionava. Funcionou. Por um certo tempo. Mas que culpa eu tenho de ser essa máquina de mastigar pessoas? Ainda contei o quanto detestava quando ele me ordenava. Eu não recebo ordens, darling. Nós fomos feitos para ser muito felizes. Só não avisaram que cada um no seu destino, em frases e fases separadas. Dois seres que tinham um futuro digno pela frente. Com uma linha infernal coberta de arames separando os horizontes. Pode ser que a culpa até foi minha. Não vou culpá-lo se disser isso para os nossos amigos. Eu sei ser complicada. Por fim, expliquei que o lulu santos foi sábio em dizer que 'não te quero mal, apenas não te quero mais'. Ele me xingou. Disse que sou um dinossauro insensível. Me chamou do nome de um amigo em comum, grosso. Me jogou várias pragas. Jogou um ou outro copo pro meu lado. E eu sorri, porque ironicamente, descobri que eu queria lutar com o destino pra me manter com aquele cara.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

001

Outra noite comum, eu devia ir pra casa e zapear pela tv. Prefiro andar. As ruas a noite parecem desertas de conteúdo. Só consigo ver pessoas andando, alheias ao mundo, alheias até à elas mesmas. Acho que estou da mesma forma. Olho a vitrine do carro novo. Talvez eu devesse reunir economias e comprar um carro. Mas pra quê? Se eu ainda vou preferir ficar em casa, ou andar, caminhar, pra respirar o ar puro e poluí-lo com cigarro. E eu vejo um bar aberto. Não devia ter chamado esse local de bar, botequim, acho que eu seria mais justo em dizer assim. Sento nessa mesa de madeira aqui fora. Dá pra ter o ar e a fumaça. E me deixa observar essa gente que povoa a rua. Levanto a mão e um garçom baixinho e suado me traz uma folha sulfite envolvido em contact. Pode ser uma Brahma mesmo amigão. Eu tentei ser simpático. Ele sorri e diz: pra aliviar o calor, chefe. Eu não parecia estar com calor. Eu ainda usava o uniforme do escritório, e essas calças de sarja não favorecem ninguém. Pensei como uma mulher, eu acho. A minha cerveja chega e eu não me sinto nada hipster. Se eu tivesse sentado numa cafeteria e pedido um cappuccino eu ia tirar foto pro Instagram. Mas hoje eu queria distância dessas redes sociais que só nos mostram quão solitários somos, atrás da tecnologia. Foi quando eu olhei para o lado. E vi ela.

Eu precisaria de várias folhas de caderno para descrevê-la. Primeiro porque ia querer desenhar a forma como os longos cabelos escuros faziam voltas por cima da sua blusa. Ou o jeito que ela cruzava as pernas calmamente, voltando o quadril para trás e jogando os ombros para frente. Ela parecia simpática demais. Daquele jeito que te irrita. Daquele jeito que me irritava, porque eu não estava por perto para rir com ela. Ela nem olhava pros lados. Não procurava nada, não buscava ninguém. Ela se bastava. Ao contrário do meu uniforme e postura formal, ela estava completamente em casa, vestia shorts e regata, e me fez pensar que ela acordava assim. Uma manhã de domingo. Apertei os olhos como se fosse zoom pra ver se ela tinha se maquiado. Ela era assim mesmo. Um sorriso nada perfeito mas completo, com os dentes, boca aberta e uma covinha, do lado esquerdo. Deus deve que sabia que se mandasse as duas covinhas, ele teria que parar de produzir outro tipo de ser humano e fazer apenas cópias dela. Mandou uma. Com fundo de 'não vou fazer mais, que fique por conta da sua imaginação'. Ele sempre brincando de war.

Eu bebi minha cerveja, aliviando o calor e a tensão que eu sentia quando ela virava pro lado da mesa. Se ela notasse que estava sendo observada, não seria tão natural e tão poética quanto devia. Deixei duas notas em cima da mesa, que valiam mais do que a cerveja. Mas eu precisava agradecer alguém por ter me deixado ver ela. E que fosse meu amigo garçom. Eu não podia simplesmente ir embora sem mostrar pra mim mesmo que eu estava muito agradecido. Nenhum seriado teria me feito sentir uma vontade incontrolável de cantar, nem de torcer pra que o mundo não acabe. Não sem antes eu vê-la novamente.Eu tinha encontrado um motivo pra viver os dias depois dela.