quarta-feira, 6 de maio de 2015

A arte da auto-sabotagem

Como sempre, esta sou eu, a pessoa que mais duvida das coisas boas, que torce 24hrs por elas, mas quando está tudo bem, eu sou a primeira a caçar defeitos. Queria mesmo era entender essa minha necessidade de estar triste ou preocupada, parece que em algum lugar da minha mente errada, o certo pra mim é sofrer. Talvez eu tenha lido em algum lugar que todos os escritores tem um lado sombrio. É que às vezes eu acho que não mereço ter aquilo que eu mais quero: a felicidade. Quando se tem 20 e poucos essa tarefa é super fácil, coisas difíceis e problemas surgem a todo momento. Aí você tem 20 e tantos e os problemas amenizam, aí você cria alguns absurdos pra não sair da rotina. Ou para me sentir mais adolescente problemática, que diga-se de passagem, eu levei bem a sério essa coisas de rebeldia. Eu me recuso inconscientemente o tempo todo a ter a idade que eu tenho, não me sinto preparada para fazer coisas que já devia ter completado há anos. Essa sou eu. Síndrome de Peter Pan. Ou talvez só queria ser a Sininho. A fantasia me convida a ignorar o mundo, e aí vou criando bruxas e maldições no meu conto de fadas. Sou tão prejudicial a mim que ao contrário de montar o sonho perfeito com cerquinha branca na frente da minha casa de campo, eu crio fantasmas e desastres, o meu maior inimigo sou eu mesma. Pode ser que eu não saiba viver feliz, com a vida seguindo tranquilamente o fluxo devido, ou talvez a minha felicidade seja atravessar meus medos, só sei que dói viver assim, nessa luta constante, onde eu vou perder e ganhar de mim, até eu me encontrar.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Outra direção.

fiction


Vou contar de uma paixão que tive. Uma paixão que mexeu comigo, uma mulher que me fez cantarolar no banho. Ela era simplesmente linda. E simples mesmo. Fora de qualquer padrão, ela só era isso. E conversar com ela me fazia colocar a vida nos trilhos. Ela me fazia pensar. E como sou meio impulsivo, fiz uma ou outra coisa sem pensar, entrei em caminhos sem volta, com e sem ela. Mas com ela, parecia ser leve. Ela falava algumas coisas e eu devorava suas palavras, pra absorver o máximo que podia. Eu sabia que ia ser temporário. E cada toque, era como os tantos sonhos com ela. Ela era tudo o que eu precisava. Só não era minha. Nunca seria. Ela vivia a vida muito diferente de mim, éramos de mundos diferentes que se cruzaram por um breve tempo, a ponto dela me mudar. Hoje vejo as mulheres de uma forma diferente dos outros homens. Elas são lindas, e mais do que isso, existem muitas interessantes, com conteúdo. E isso encanta mais que beleza. Ao mesmo tempo que são sensíveis, conseguem enxergar o mundo de forma fria e calculista. Os nossos caminhos continuaram, cada um para seu lado e ela foi viver, livre. Eu conheci várias outras mulheres, que procurei o jeito dela em cada uma. E não achei. E não vou achar. Mas obrigado gata, você me fez ser maior. Se cuida, onde quer que você esteja.




quarta-feira, 18 de março de 2015

6 - (s)Em ordem

A luz apagada dava uma impressão de proibição no que estivéssemos fazendo. Eu deslizava minha mão na curva das suas costas enquanto ela se pressionava contra meu corpo. Não existiu uma palavra, um olhar comprometedor. Na penumbra, nos encontramos.


-Bom dia.
Eu ouvi a sua voz suave ao abrir os olhos e não conseguia acreditar no que estava acontecendo. A gente já tinha dormido mil vezes juntos. Cada um nas suas respectivas camas, vestidos e sem o menor contato físico. Éramos amigos. E eu já ouvi esse 'bom dia' inúmeras vezes. Mas não nesse tom. Não depois de sentir tudo o que não cabia mais em mim. Era tudo o que eu queria ouvir. Tudo que eu precisava pra ter certeza que ontem existiu.
-Ei, bom dia.
-Preciso ir, ninguém sabe onde estou e tenho muitas coisas pra colocar em ordem antes de ir.
-Ir?
-Sim Antônio, eu vou voltar pra Europa.
Eu enfiei a cabeça no travesseiro, torcendo para que ela não visse essa cena. Eu até quis gritar, mas ia parecer muito sofrimento.
-Ok.
-Antônio, não vou entrar nesse jogo de novo. Ou conversamos ou estou indo embora.
-Não temos nada pra falar nesse momento.
-Eu te odeio.
Ela saiu catando os sapatos. E deixou a porta bater de propósito. Ela devia estar mesmo com muita raiva mas nada disso era justo. Nós vivemos uma noite incrível e então ela está indo embora. Pro outro lado do mundo. E o que ela queria conversar? 'Fui pra te esquecer, voltei pela minha mãe, não te esqueci, estou indo embora'. Zero coerência. Fui pro banho, tentando limpar da mente a minha raiva dela, e ao mesmo tempo com pesar de saber que assim seu cheiro ia sair de mim.