sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

um pouco mais

Não sei ficar no raso. No mar, na piscina, na amizade, no amor. Só sei mergulhar, só sei que a sensação de me jogar e afundar é o que me move.
Leio livros intensamente, enfio a cara na cachaça, faço ligações de horas, bebo uma garrafa de café, fumo um maço, coloco três brincos, me visto de cores vibrantes. É que ficar no raso, com pouco, de leve, me causa incômodo. Parece que estou vivendo pouco, parece que está faltando alguma coisa.
Faço curso de finanças, de lettering, de crochê, de escrita. Tenho várias paixões, vários assuntos me interessam. É que se não for pra ser emocionada, eu prefiro que não seja. Se não for para ser intenso, o morno não me atrai.
Dou bom dia com coração, mando mensagem para minhas amigas dizendo o quanto eu as amo e admiro, ligo para minha família de vídeo para sentir suas emoções, choro muito na terapia, abraço minha cachorra com todo amor do mundo, beijo com intensidade, conto do meu dia como se fosse o mais interessante, leio textos e me emociono, assisto uma temporada inteira de algum seriado em 1 a 2 dias e depois fico triste porque acabou. É que eu preciso das emoções e dos sentimentos.
E aí quando acaba eu fico triste, quando me despeço eu fico mal, às vezes é até dor física mesmo, angústia, porque de bom e de ruim é tudo muito. E eu sequer julgo quem não consegue me entender, ou me acompanhar, ou decide me julgar, não é sobre vocês, é sobre mim.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

física&química

É melhor não, mas a verdade é que eu gostaria de te ver de novo. Só para conferir se a mão iria continuar suando, o coração acelerado que chega a fazer a camiseta pular, e o sorriso ora fica estático, ora treme. Queria saber se quando eu te ver sorrir, se vai me dar uma vontade absurda de sorrir também, daquelas que mesmo quando você segura toda sua feição, ainda assim, os cantinhos da boca ficam incontrolavelmente virados para cima. Precisava saber se, quando você descansar os braços para cima, vai me dar uma vontade louca de colocar o meu corpo encostado no seu, e então vou precisar me controlar mentalmente e dizer para mim mesma que eu consigo permanecer onde estou. Fico pensando, quando nós dois cruzarmos novamente, será que cada poro do meu corpo já esqueceu o seu cheiro? Será que cada fio de cabelo já conseguiu desvencilhar dos seus dedos, se cada peça de roupa minha já não se lembra do chão do seu quarto, se meus pensamentos sozinha já sabem que devemos fantasiar sobre outra pessoa? É, acho melhor não cruzar o meu olhar no seu, já que eu não posso garantir como cada parte de mim reagiria.

domingo, 12 de dezembro de 2021

fala não.

 Há muito tempo não escrevo. E não é por falta de vontade, é mais por medo. Quando escrevo coloco todos os meus demônios na ponta dos dedos e ultimamente não tenho querido batalhas das quais não tenho certeza se posso vencer. Ontem mesmo eu estava pensando, troquei de perfume, deixei o cabelo crescer, mudei a alimentação, cortei os cochilos da tarde, tenho praticado higiene do sono, respeitei escolhas alheias, cumpri metas e horários, dediquei tempo e atenção a quem me fez o mesmo, dancei, conheci novos lugares e pessoas, me reuni com equipes maravilhosas de estágio, monitoria, faculdade, clínica, fórum, passei a assoprar canela no dia primeiro, cortei o açúcar do café, dei preferência para andar a pé, ouvi músicas novas e algumas velhas que evitava, chorei dirigindo e trabalhando e estudando e fazendo estágio e na supervisão e na monitoria e no caminho e fazendo almoço e limpando a casa e na terapia, assumi erros e escolhas, conheci alguém que sempre esteve comigo - eu. Foi um ano tão difícil, onde eu perdi e ganhei tanto, um ano que demorou passar e de repente é dezembro. Mas foi um ano, só um, que em breve fica para trás e será apenas uma memória, e assim preciso que seja, porque sinto que cresci tanto que não me cabe mais em 2021, preciso de espaço para continuar meu crescimento, e é por isso que não vejo a hora de chegar com o pé direito em 2022, porque eu quero mais, eu preciso de mais e eu mereço mais.