quinta-feira, 27 de agosto de 2020

sobre dias que o coração despedaça

 Acordei cedinho, antes das 7. Abri os olhos bem devagarinho. Acostumei os olhos à claridade e saí da cama. Fiz um  monte de coisa no apartamento vazio, lavei louça, passei um café amargo, fiz trabalhos da faculdade, pesquisei sobre meu projeto e me deu aquele aperto no peito. Era saudades suas. Então abri a galeria do telefone, fui caçar fotos nossas, com os nossos melhores sorrisos, com a cara nem sempre tão boa, com todo o peso que poderia ter em cada braço dado, cada história por trás de um flash. Meus olhos encheram de lágrimas, porque você me faz falta a cada segundo, a cada suspiro, a cada movimento que eu tenho que dar para viver. Deu vontade de te ligar, mas não adianta, eu preciso mesmo é do seu cheiro, dos seus olhos. Ouvir sua voz acalma o coração às vezes, mas em outras só me desespera porque ainda não posso segurar sua mão e encostar minha cabeça no seu ombro. Amor que dói de tão bom trás dores de saudades constantes, é muito difícil não estar com você o tempo todo. E o inferno astral tá atacando e eu só queria seu colo, do seu jeito, do jeito que só você consegue me deixar chorar e ainda me ajudar a sair da escuridão. Me espera que sábado tô aí, e só quero EUEVOCÊ, assim mesmo, sem nenhum espaço entre nós.

Ouvindo The Chainsmokers - Inside Out

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Obrigado

O apartamento estava cheirando mofo, provavelmente porque havia 21 dias que ela não abria às janelas. Especificamente 21 dias, desde aquela tarde.
Da cama ela olhou no espelho, quilos mais magra, olheiras, rímel borrado. Tiveram alguns pares de dias em que ela tentou, de verdade, sair da cama e sobreviver ao dia. Falhou miseravelmente.
Debaixo da porta algumas contas vencidas, na fruteira duas peras apodreceram, na geladeira o leito azedou. Por onde começar?
Aquela tarde foi tão rápida. Ele a olhou nos olhos, demoradamente, segurou sua mão e a agradeceu por tudo. Nada além, nada aquém. Dobrou as roupas e colocou na mochila, foi ao banheiro e voltou com a escova de dente. Pegou meia dúzia de livros da estante e até sorriu pra aquele dele que ela queria ler mas não começara ainda, deixou ele lá. Calçou seu tênis, deu uma última olhada naquele lugar que até então era chamado de lar e sem sequer olhar pra trás, saiu, como se fosse ali e já voltasse, como se nem precisasse despedir. Ela não entendeu. Na verdade ela entendeu mas não fazia sentido. Nem naquela tarde nem hoje.
Ela permaneceu naquela cama o resto do dia, e o dia seguinte. Depois ligou no trabalho avisando que estava de virose (o que de tudo não era mentira, já que ela vomitava tudo que comida). O telefone tocou algumas vezes mas ela não atendeu nenhuma, quem ligava não era ele. Tinha dias que seus olhos não abriram pela manhã por ter passado horas chorando. Tinha dias que ela não conseguia chorar (os piores), então ela ficava apática olhando pras paredes. As janelas permaneceram fechadas, a tv desligada, o celular ao alcance das mãos. Ela precisava de ajuda.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

PARE

Ela estava com dificuldades em se manter estável. Os dias estavam passando como borrões e cada vez mais rápidos, e quando ela pensava estar dando uma trégua das suas angústias, as dores voltavam. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde ela voltaria para o seu lugar sombrio, mas acreditava que estava no caminho certo para evitar esse local. Não tinha muita certeza do que estava fazendo, se era suficiente ou se era excessivo. Ela precisava desligar tudo, apertar o pause e olhar de fora como as coisas realmente estavam. Mas o piloto automático sempre fora seu refúgio e agora, a única coisa que ela não poderia contar seria com esse recurso. Ah, vai doer menina, mas vai passar.