segunda-feira, 11 de abril de 2016

o nosso tempo

Tava lendo um artigo que alguns estudo apontam que o horário que estamos mais felizes é sábado a noite, não lembro a hora certa mas por volta das 7 e alguma coisa. Aí lembrei de um sábado nosso. E comecei a me sentir mal. Como nós fomos tão ingênuos em achar que o mundo nos deixaria ser tão felizes que incomodava os transeuntes? Sentados naquele bar, não existe nada além da nossa mesa, eu e você, naquele seu vestido amarelo que eu te comprei. Você brilhava, me enchia. E eu estava tão entorpecido que qualquer gole seria além da conta, porque com você, eu permanecia em estado de embriagues amorosa. Lógico que a gente se divertiu, cantamos velhas músicas e comemos batatas gordurosas. Antes de chegar em casa, lembro como se fosse agora, segurei seu queixo e te beijei. Você levantou os calcanhares para ficarmos mais próximos. Se eu fechar os olhos ainda consigo sentir. E era assim, foi assim. Foi lindo e é o que guardo de você, pequena. Não guardo as nossas brigas ou as noites dormidas no sofá. E só pra você saber, caso mude de ideia, a chave ainda está debaixo do carpete.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Não.

'Porque se não fossemos tão humanos não sentiríamos tanta dor, por outro lado, nem tanto amor. Aquele misto dolorido de querer bem e querer longe, a luta entre fica mais e estou indo embora. Sem saber como lidar, a apatia pode ser uma solução simples e imediata. Quando as forças secam, o que pode te fazer bem é simplesmente não ligar mais. E não ligar mais pode ser o sintoma mais triste de uma doença que raramente tem cura, o fim. Não queria mais sonhar, queria viver um pouco mais. Talvez a solução seja seguir, ou quem sabe apenas deixar de seguir. Colocar os pés na areia, desenhar um coração com apenas uma letra, a minha. E gritar ao mundo que as dores estomacais estão atacando. O motivo é aquele velho conhecido. Velho somos nós, que não queremos mais lutar, tendo apenas a vontade de ter o controle remoto num domingo a tarde. As dores vão e voltam. E eu também. Com medo do inseguro, me prendo no conformismo. Com a cabeça pesada, vou deixando o rio seguir seu rumo, por que cá pra nós, decisões não são o meu forte.'

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Vírgula

Ela era aquele tipo de rascunho, mal acabado, com algumas linhas rabiscadas e setas mostrando que algumas coisas deviam ser mudadas. E preferia deixar assim, talvez algum dia ela resolvesse fazer diferente. Talvez. Passar a limpo sempre a deixava triste porque mostrava erros, e ela vivia cheia de curativos, tinha medo de abrir algum ponto. Traduzia a vida em palavras que não capturavam a essência dos joelhos ralados ou do travesseiro molhado. Ela era, provavelmente, a coisa mais linda e mais triste que já conheci. E me encantava com cada deslize seu. Tinha vontade de secar suas lagrimas com beijos, de tomar sua dor numa dose e entorpecer com seus soluços. Eu queria cuidar daquela obra severamente não acabada. As bagunças me atraem, talvez porque eu tenha essa mania insana de querer colocar o mundo em ordem, como se as pessoas tivessem frequências diferentes e eu fosse capaz de equalizá-las. O sorriso torto me fazia queria alinhar as estrelas pra ela sorrir. Eu sabia que o seu coração tinha vários espinhos e que vez ou outra, eu sairia machucado, e isso não me impedia de querer cada vez mais ser seu salva-vidas. Queria vê-la correr aos meus braços, pedindo cafuné e carinho, como se só o meu colo fosse remédio para suas angústias, como se só ao meu lado ela pudesse dormir sem pesadelos e assim, que ela não temesse mais nada. Mas, assim como todas as confusões que ela era, ela me perdeu no processo, e quase como efeito de criptonita, eu me vi enfraquecer diante dos seus olhos turvos. 'Eu tentei pequena, tentei nos salvar'. Ela sabia que sem as forças dela, era inútil eu tentar. Deixei sua bagunça, parti deixando a porta aberta, torcendo pra que se ela não conseguisse encontrar alguém mais forte, que ela me gritasse corredor a fora, talvez usássemos um corretor ortográfico, e então eu te editaria, porque é mais fácil eu te ajudar do que limpar minha própria vida.