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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

quase real.

Tenta vir hoje garota, me usa daquele jeito bem sem pudor e depois queira ficar um pouco mais. Me dá espaço pra sentir o seu cheiro, te deixo deitar no meu ombro, mas só hoje, porque tô precisando de você aqui. A gente é meio sem jeito assim, mas do nosso jeito, a gente se esbarra, a sintonia explica o que nem eu nem você dizemos. A meia luz me faz sussurrar no seu ouvido e te beijar sem perceber, como se não houvesse outra solução, senão te ter aqui. Ainda não descobri o que te traz de volta toda semana, você não me pergunta nada, só vem e vai, despede com um sorriso satisfeito e some de novo. E antes que acabe deixa eu dizer seu nome mais uma vez, e te mostrar o quanto eu quero você aqui porque a gente já sabe que as coisas vão complicar. Mas vem hoje. Eu me viro amanhã sem você, hoje não.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

um agora

Eu sei que fui uma louca, não me julgue mais do que eu mesma o fiz. Nós dois atingimos um nível elevado de intimidade, aquele que você sabia bem onde me doer, assim como eu, e assim a gente fez. Você não sabe o que é amar acima de todas as coisas, e não tem ideia do quanto isso é sufocante. Eu só queria te ter o tempo todo pregado em mim, ouvir sua voz o dia todo e quando chegasse a noite, te abraçar pra dormir tranquila. O seu olhar era o meu calmante, a minha paz interior. Mas assim como você não tem noção do quanto dói amar, não calcula o quanto é difícil enfrentar o vazio do 'não amor'. Eu sou movida por amor, dentro de cada veia do meu corpo corre uma energia vibrante que precisa amar intensamente. E quando falta quem amar, sobra vazio, um buraco que não se fecha com festas, bebidas, cigarros ou beijos aleatórios. E não é que eu não queira gostar de alguém, talvez eu até queira mesmo ter alguém pra chamar de meu, mas nesse momento, esse vazio está me ensinando o egoísmo saudável. Por isso não me envolvi com ninguém, eu não tenho o direito de arrastar alguém pra minha bagunça que eu não quero arrumar agora, não posso deixar alguém entrar no meu mundo se eu não tenho a intensão de deixá-lo ficar. Eu vou acabar machucando algumas pessoas nesse processo, inclusive, eu mesma, porque a ideia inicial era sair ilesa, sem ferir ninguém. E nessa guerra, por não querer sofrer, acabo não deixando o sentimento mais lindo do mundo entrar de novo. A culpa não foi sua, nem minha, é só um mundo cruel onde a gente tem que se virar do melhor jeito que conseguir, onde doer menos, onde eu não sou mais sua e onde eu tenho que me cuidar SOZINHA.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Planetário

 Não precisa ser perfeito pra ser bom, foi o que ela me disse, até porque não tinha sido nada perfeito. A gente não se conhecia direito, mas o jeito dela me deixava curioso, às vezes passava a impressão de fútil, outras era muito desligada, mas cá pra nós, isso era só o disfarce perfeito para uma romântica  incorrigível, que foi brutalmente machucada e que não quer deixar ninguém entrar. Há quanto tempo eu não via as estrelas como naquela noite? A gente conversou bastante, eu cheguei até compartilhar algumas coisas pessoais que alguns amigos bem próximos não sabem, ela falou bastante, sim, ela conversa muito, de um jeito legal, que consegue te deixar a vontade, e te faz querer estar naquele papo, e no próximo, e já encontrar algum outro assunto, só pra ouvir ela contar mais um história. Mas eu não consegui entender como ela pensa, não dá pra acompanhar. Então vou torcer pra que na bagunça dela, ela queira me achar de novo.

sábado, 8 de julho de 2017

Reticências

Vai dar outro dia de semana que vou querer te ver, e porque? Não sei! De onde tirei essa ideia absurda? Tão errado de tantas maneiras eu só sei que quando percebi já te chamei de novo. E você vem, e vai embora. E me pede um pouquinho de atenção, que ainda não sei como te dar. Arrependido, eu te esqueço, como se nada tivesse acontecido, aí sua foto aparece na minha frente na rede social e já era. Não sei o que você está esperando de mim, tomara que não seja um bom dia, eu não sou desses caras, aliás, podia até ser, mas não com você. Não que você não mereça, porque pelo que eu ouvi, você merecia que eu até abrisse a porta do carro, mas garota, como? É possível que essa semana eu tente esquecer seu nome e não te chamar, mas se eu encontrar outro fio de cabelo seu no meu cobertor, talvez eu te convide pra gastar meia hora comigo, porque eu sei que você vem, e eu sei que eu quero você aqui de novo, e eu sei que vai se repetir. Só não sei no que isso vai dar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Lua cheia

Ela tateava no escuro, sem saber onde podia tocar, não sabia onde encostar o corpo cansado e por isso, ia ficando assim, no meio do movimento. Por medo de não saber onde pisar, ela andava como se nem estivesse por lá. Talvez se tudo pudesse ser leve, ela sairia ilesa, sem os joelhos ralados, sem se afogar no travesseiro. É o tipo de coisa que acontece com as pessoas doloridas, elas tendem a não demonstrar profundidade, porque lá dentro, existem coisas que assustam a si próprias, o que dirá aos visitantes?! Portanto a pose superficial, a tranquilidade de fachada, o sorriso após o beijo. Ela queria se desmanchar sob seus olhos nos seus braços, mas nem forças pra isso ela tem mais.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Até agora

Cheguei em casa assim, enjoada de nós dois. Tentando remeter alguma vez que fui tão livre e tranquila quanto hoje e não encontrei. Porque isso não existia. Você alega posse, amor, foi de ambas as partes. Enfim, não te procurei, não quis. Talvez não queira. Ainda sinto. Só não sei até quando.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

fanfic

Quando eu te vi sentada naquele bar quase não acreditei. Depois me lembrei que você tinha me chamado várias vezes pra ir lá e eu nunca tinha disposição ou dinheiro. Talvez a gente devia ter ido. Aí reparei que seu cabelo está diferente, você perdeu alguns quilos e está muito bonita. Eu costumava implicar com todas as suas roupas, mas era por esporte, você sempre se manteve linda. Você deu longas e boas risadas, e sequer olhou a sua volta. Está feliz, parece curada de nós.  Não me procurou, não me olhou, não foi atrás. Você me prometeu que ia. E eu gritei pra você não ir. Mas de repente eu estou lembrando disso, o que até agora, não tinha feito diferença. Eu não preciso de você, não estava fazendo falta, eu estou finalmente livre. E feliz. O que deixei de ser do seu lado há um tempo. Por isso eu fui embora. Pra viver uma vida que eu preciso. Uma vida que você não está nela e que eu faço o que eu quero. Hoje eu tenho disposição, interesse. Minha vida está boa. Mas talvez você pudesse virar, e me ver, porque eu tô aqui, onde a sua vista não cobriu, só pra gente cruzar olhares e fazer um cumprimento sem graça. Só pra eu saber se você ainda me ama.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Não posso ficar

'Oi amor, se é que ainda tenho o direito de te chamar assim. Primeiro de tudo, eu queria te pedir desculpas pela covardia que habita em mim. Porquê? Porque você não habita mais dentro de mim e por isso, eu não habito mais no seu apartamento. Pode conferir os armários, estão vazios, da mesma forma que eu estou. E devo todos os buracos a mim mesma. Eu abandonei nós dois a muito tempo, eu briguei no início, achei que pudesse te mudar ou me moldar a você, mas a verdade é que as pessoas só mudam por elas mesmas. Eu sinto muito. Fui notando aos poucos que a toalha molhada em cima da cama já não me incomodava mais, que as manchas de cerveja na mesa não faziam diferença, que o 'eu te amo' do final das ligações soavam como um adeus. Então eu comecei a me preocupar com o fim e quis de verdade que não acabasse, tentei ficar bonita, tentei chamar a sua atenção, mas o fato é que a rotina nos deixou tão confortáveis que deixamos para depois. E o depois veio. E a gente não. Você já não me olhava mais, eu já não me importava. Então eu acordei hoje bem mais cedo que você, e fiquei te olhando durante um bom tempo. Eu soube que precisava ir embora, antes que virássemos dois estranhos que dividem uma cama, antes que você visse que nós dois falhamos em algum lugar não identificado e que não havia mais tempo para resolver. Por isso a minha falta de coragem em te olhar nos olhos e dizer que acabou, talvez me falharia a voz e tudo voltaria a ser morno, talvez você me pediria pra ficar e tentar fazer diferente. Talvez. Eu não tive a coragem de te esperar. Não pense por um minuto que eu não te amo, eu amo, do jeito que se ama ao ver uma foto antiga, que enche a boca de sorriso e os olhos de lágrimas, e escapole sem querer 'tempo bom que não se voltar mais', seguido de 'eu era feliz e não sabia'. Se cuida. Deixei sobras do macarrão de ontem na geladeira. Trouxe comigo sua camiseta cinza. Espero que algum dia a gente se perdoe.'

segunda-feira, 11 de abril de 2016

o nosso tempo

Tava lendo um artigo que alguns estudo apontam que o horário que estamos mais felizes é sábado a noite, não lembro a hora certa mas por volta das 7 e alguma coisa. Aí lembrei de um sábado nosso. E comecei a me sentir mal. Como nós fomos tão ingênuos em achar que o mundo nos deixaria ser tão felizes que incomodava os transeuntes? Sentados naquele bar, não existe nada além da nossa mesa, eu e você, naquele seu vestido amarelo que eu te comprei. Você brilhava, me enchia. E eu estava tão entorpecido que qualquer gole seria além da conta, porque com você, eu permanecia em estado de embriagues amorosa. Lógico que a gente se divertiu, cantamos velhas músicas e comemos batatas gordurosas. Antes de chegar em casa, lembro como se fosse agora, segurei seu queixo e te beijei. Você levantou os calcanhares para ficarmos mais próximos. Se eu fechar os olhos ainda consigo sentir. E era assim, foi assim. Foi lindo e é o que guardo de você, pequena. Não guardo as nossas brigas ou as noites dormidas no sofá. E só pra você saber, caso mude de ideia, a chave ainda está debaixo do carpete.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Outra direção.

fiction


Vou contar de uma paixão que tive. Uma paixão que mexeu comigo, uma mulher que me fez cantarolar no banho. Ela era simplesmente linda. E simples mesmo. Fora de qualquer padrão, ela só era isso. E conversar com ela me fazia colocar a vida nos trilhos. Ela me fazia pensar. E como sou meio impulsivo, fiz uma ou outra coisa sem pensar, entrei em caminhos sem volta, com e sem ela. Mas com ela, parecia ser leve. Ela falava algumas coisas e eu devorava suas palavras, pra absorver o máximo que podia. Eu sabia que ia ser temporário. E cada toque, era como os tantos sonhos com ela. Ela era tudo o que eu precisava. Só não era minha. Nunca seria. Ela vivia a vida muito diferente de mim, éramos de mundos diferentes que se cruzaram por um breve tempo, a ponto dela me mudar. Hoje vejo as mulheres de uma forma diferente dos outros homens. Elas são lindas, e mais do que isso, existem muitas interessantes, com conteúdo. E isso encanta mais que beleza. Ao mesmo tempo que são sensíveis, conseguem enxergar o mundo de forma fria e calculista. Os nossos caminhos continuaram, cada um para seu lado e ela foi viver, livre. Eu conheci várias outras mulheres, que procurei o jeito dela em cada uma. E não achei. E não vou achar. Mas obrigado gata, você me fez ser maior. Se cuida, onde quer que você esteja.




sábado, 21 de fevereiro de 2015

mais nada

fiction
Foi uma noite pesada. Ela sorria pra mim daquela forma triste e eu queria segurá-la. E beijá-la. Ternamente. Tirar todos os seus problemas e afagar seus cabelos para afogar suas mágoas. Eu queria sorrir de volta. Só tomava outro gole pra afastar da minha mente o seu cheiro. Cheiro de roupa limpa e listerine. Ela era esse misto de minha e do mundo. Nada conseguia parar seu trem desgovernado. Ela preenchia a sala. Sozinha fazia minha multidão. E me fuzilava quando abria a boca. Quase sempre bêbada. Quase sempre de outro alguém.
Essa noite foi começando com o telefone tocando. Ela me chamou indiretamente para sairmos. Como sempre ela nunca dava importância para a minha presença. Ou tentava me fazer pensar assim. Desfazia de mim como se eu não tivesse importância. Mas quando ficava zonza, caçava uma forma de me fazer cair nas suas teias. E tanto quanto uma viúva negra, me usava e me matava. Ir embora da minha cama era tão simples pra ela, me fazia crer que esse era o ponto alto dos nossos momentos. Levantar e com todo desdém do mundo me olhar, deixando claro que fui usado novamente.
Não que eu goste dela. Eu gosto do que ela faz em mim. Consegue me deixar calmo e louco ao mesmo tempo. Eu preciso encostar naquela cintura, preciso chegar perto daquele pescoço e dizer coisas sujas. Parece que ela sabe disso. Sabe que ela me tira do rumo. Que eu quero. E muito. Então eu bebo outro copo esperando a minha deixa. Pra oferecer uma carona sem compromisso. E talvez a pernoite do motel.
E assim ela faz. Deixa. Deixa eu me envolver sem me dar uma frase pessoal. Nunca vou conhecê-la. Não vou saber quais são seus hobies(exceto o de me matar lentamente). Vou deixar ela me enlouquecer bastante. E fazer tudo de novo. Porque é isso que eu quero. Ela. E só.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

docontra.

Foi assim, outra daquelas noites que tínhamos sempre. Com coca e doritos. A gente não tinha muita noção do que estava fazendo. Ou melhor, eu não tinha a menor ideia do rumo da minha vida. Ficar ali seria meu suicídio mental.
- Precisamos conversar.
- Eu imaginei.
Eu contei que eu era feliz nas primaveras, no verão e principalmente no inverno e no outono, passava dias constantemente felizes e despreocupados. Eu dormia a noite. Eu deixava meu telefone ligado mais vezes, ou pelo menos, atendia. Ele entendeu. Não funcionava. Funcionou. Por um certo tempo. Mas que culpa eu tenho de ser essa máquina de mastigar pessoas? Ainda contei o quanto detestava quando ele me ordenava. Eu não recebo ordens, darling. Nós fomos feitos para ser muito felizes. Só não avisaram que cada um no seu destino, em frases e fases separadas. Dois seres que tinham um futuro digno pela frente. Com uma linha infernal coberta de arames separando os horizontes. Pode ser que a culpa até foi minha. Não vou culpá-lo se disser isso para os nossos amigos. Eu sei ser complicada. Por fim, expliquei que o lulu santos foi sábio em dizer que 'não te quero mal, apenas não te quero mais'. Ele me xingou. Disse que sou um dinossauro insensível. Me chamou do nome de um amigo em comum, grosso. Me jogou várias pragas. Jogou um ou outro copo pro meu lado. E eu sorri, porque ironicamente, descobri que eu queria lutar com o destino pra me manter com aquele cara.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

001

Outra noite comum, eu devia ir pra casa e zapear pela tv. Prefiro andar. As ruas a noite parecem desertas de conteúdo. Só consigo ver pessoas andando, alheias ao mundo, alheias até à elas mesmas. Acho que estou da mesma forma. Olho a vitrine do carro novo. Talvez eu devesse reunir economias e comprar um carro. Mas pra quê? Se eu ainda vou preferir ficar em casa, ou andar, caminhar, pra respirar o ar puro e poluí-lo com cigarro. E eu vejo um bar aberto. Não devia ter chamado esse local de bar, botequim, acho que eu seria mais justo em dizer assim. Sento nessa mesa de madeira aqui fora. Dá pra ter o ar e a fumaça. E me deixa observar essa gente que povoa a rua. Levanto a mão e um garçom baixinho e suado me traz uma folha sulfite envolvido em contact. Pode ser uma Brahma mesmo amigão. Eu tentei ser simpático. Ele sorri e diz: pra aliviar o calor, chefe. Eu não parecia estar com calor. Eu ainda usava o uniforme do escritório, e essas calças de sarja não favorecem ninguém. Pensei como uma mulher, eu acho. A minha cerveja chega e eu não me sinto nada hipster. Se eu tivesse sentado numa cafeteria e pedido um cappuccino eu ia tirar foto pro Instagram. Mas hoje eu queria distância dessas redes sociais que só nos mostram quão solitários somos, atrás da tecnologia. Foi quando eu olhei para o lado. E vi ela.

Eu precisaria de várias folhas de caderno para descrevê-la. Primeiro porque ia querer desenhar a forma como os longos cabelos escuros faziam voltas por cima da sua blusa. Ou o jeito que ela cruzava as pernas calmamente, voltando o quadril para trás e jogando os ombros para frente. Ela parecia simpática demais. Daquele jeito que te irrita. Daquele jeito que me irritava, porque eu não estava por perto para rir com ela. Ela nem olhava pros lados. Não procurava nada, não buscava ninguém. Ela se bastava. Ao contrário do meu uniforme e postura formal, ela estava completamente em casa, vestia shorts e regata, e me fez pensar que ela acordava assim. Uma manhã de domingo. Apertei os olhos como se fosse zoom pra ver se ela tinha se maquiado. Ela era assim mesmo. Um sorriso nada perfeito mas completo, com os dentes, boca aberta e uma covinha, do lado esquerdo. Deus deve que sabia que se mandasse as duas covinhas, ele teria que parar de produzir outro tipo de ser humano e fazer apenas cópias dela. Mandou uma. Com fundo de 'não vou fazer mais, que fique por conta da sua imaginação'. Ele sempre brincando de war.

Eu bebi minha cerveja, aliviando o calor e a tensão que eu sentia quando ela virava pro lado da mesa. Se ela notasse que estava sendo observada, não seria tão natural e tão poética quanto devia. Deixei duas notas em cima da mesa, que valiam mais do que a cerveja. Mas eu precisava agradecer alguém por ter me deixado ver ela. E que fosse meu amigo garçom. Eu não podia simplesmente ir embora sem mostrar pra mim mesmo que eu estava muito agradecido. Nenhum seriado teria me feito sentir uma vontade incontrolável de cantar, nem de torcer pra que o mundo não acabe. Não sem antes eu vê-la novamente.Eu tinha encontrado um motivo pra viver os dias depois dela.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

o rumo.


- Se eu for embora, não volto tão cedo. Tá me entendendo?
- Pois que não volte mesmo! Não quero trombar com nenhuma camiseta jogada pela casa.

Porra. A gente tinha tantas brigas assim que eu nem consigo lembrar como começavam. Que culpa eu tenho se ele é um cara sem perspetiva, desorganizado, com um físico de me matar e com a mente mais incrível que eu poderia conhecer? Pois é.
Existe esse tipo de gente no mundo. Esse tipo que vive malhando, estudando e pesquisando mas adora pagar de que nasceu assim, e impressiona essas  idiotas, bem tipo eu.
A gente se conheceu de um jeito torto e deve ser por isso essa relação toda torta, bem como a gente mesmo. Ele me pediu um cigarro numa festa, tinha brigado com uma fulaninha e bom, eu estava lá a procura de um certo fulano, que ainda bem não achei. Nós contamos sobre infância, estudos, viagens e primeiras vezes. Tudo isso assim, na primeira conversa, na área de fumante.
Ele dormia no meu sofá, quando brigava com ela. E eu saía com meus amigos. Ele tinha a chave do meu apartamento. Isso não fazia o menor sentido. Um dia eu cheguei e encontrei ele lá, bebendo da minha cerveja, com os pés na mesa de centro e sem camisa. Começou assim. Ele passou a dormir na minha cama. E não apenas quando brigava com ela. Ele deixava algumas camisetas, escova de dente e a droga da caneca. E não me deixava mais sair com os amigos. Eu era dele, apenas dele.
A gente levava numa boa, se eu concordasse com ele. Mas as noites dela eram doloridas. E eu já não sabia como dormir sem ele. Então eu ia pra rua. E ganhava caronas de quem queria entreter minha noite. E sem perceber, passava mais tempo com meus desconhecidos que com ele.
Aí chegou aquela noite. Eu disse que ia sair, ele gritou comigo. Disse que eu estava fora dos trilhos. Eu sai, e voltei. Acompanhada.
-Acabou o respeito? Por acaso agora, não tem nenhuma decência? Que coragem é essa de trazer alguém pra NOSSA casa?
É, ele disse nossa. A casa era minha, eu era dele, e ele nosso. As camisetas no chão eram dele. O chaveiro de borboleta era meu. E eu nem vi quando gritei isso. Eu mandei ele embora. E junto o vazio das noites dela. Porque pra te ter pela metade, prefiro me ter por inteira.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

gim tônico

fiction
Num bar, no canto, lá estava ele.
Ele não me veria, não naquelas circunstâncias. Eu precisaria ter passado mais, no mínimo, 40 minutos me aprontando. Ele está lá, com a camisa de sempre, a calça de sempre e o sapato de sempre. E mesmo assim, mil vezes belo. Beleza que me inunda e me despe por não chegar aos seus pés. Um gim e não foi suficiente. Moço, me vê mais um. E esse nem vi bebendo. Ei, psiu, outro desse aqui oh! Agora eu tenho confiança, no gim que eu seguro. Ele me faz caminhar até a direção daquele ser que me puxa. Oi é tudo que sai da minha boca. oi. de volta. E eu perco o chão, as pernas, a confiança e acho que até o gim. Tá tudo bem sim comigo, e você? Hum. (como assim hum? COMO ASSIM HUM? isso mata conversa, isso mata assunto, isso mata até amor!). É, te vi sozinho, hum, quer dizer, de longe, e bom, sabe como é né, passei pra dar um oi mesmo e saber se tava tudo bem, afinal, quanto tempo não te vejo? pausa. Realmente faz bastante tempo. (tempo que me corroeu por dentro, que eu saia a sua procura, te procurei em todos os cantos de todos os bares, até finalmente te encontrar onde eu sempre te chamei pra ir e você nunca quis). Você bem sabe que é sempre bom te ver, me faz bem. (não acredito que eu repeti essa frase, depois de tanto tempo). (claro que ele vai dizer que vai ficar com os amigos... ou será que eu não o conheço mais?). Entendo, claro, seus amigos = suas prioridades, e quer saber de uma coisa, você faz bem. E repito, sempre bom falar com você.

Eu virei as costas, virei mesmo. Naquele dia ele foi doce, foi bom e gentil, mas ele foi ele, e por isso eu virei as costas sem olhar pra trás, porque quando eu atravessei o bar eu esperava que ele não fosse ele, ou que fosse o ele que eu queria que ele fosse. E não. Ele só foi ele. Do jeito que ele sempre foi e sempre será. E é por isso que nunca mais pisei naquele bar. Nem tenho mais costume de olhar para os cantos. Não quero te achar. Não quero te reconhecer muito menos reconhecer a roupa de sempre. Mantendo-me longe de você, fico mais eu, e quanto ao gim, bom, já que me lembra você e o bar, hoje prefiro outros gostos.

(como já tinha sido postado, merece voltar pro blog)