'Oi amor, se é que ainda tenho o direito de te chamar assim. Primeiro de tudo, eu queria te pedir desculpas pela covardia que habita em mim. Porquê? Porque você não habita mais dentro de mim e por isso, eu não habito mais no seu apartamento. Pode conferir os armários, estão vazios, da mesma forma que eu estou. E devo todos os buracos a mim mesma. Eu abandonei nós dois a muito tempo, eu briguei no início, achei que pudesse te mudar ou me moldar a você, mas a verdade é que as pessoas só mudam por elas mesmas. Eu sinto muito. Fui notando aos poucos que a toalha molhada em cima da cama já não me incomodava mais, que as manchas de cerveja na mesa não faziam diferença, que o 'eu te amo' do final das ligações soavam como um adeus. Então eu comecei a me preocupar com o fim e quis de verdade que não acabasse, tentei ficar bonita, tentei chamar a sua atenção, mas o fato é que a rotina nos deixou tão confortáveis que deixamos para depois. E o depois veio. E a gente não. Você já não me olhava mais, eu já não me importava. Então eu acordei hoje bem mais cedo que você, e fiquei te olhando durante um bom tempo. Eu soube que precisava ir embora, antes que virássemos dois estranhos que dividem uma cama, antes que você visse que nós dois falhamos em algum lugar não identificado e que não havia mais tempo para resolver. Por isso a minha falta de coragem em te olhar nos olhos e dizer que acabou, talvez me falharia a voz e tudo voltaria a ser morno, talvez você me pediria pra ficar e tentar fazer diferente. Talvez. Eu não tive a coragem de te esperar. Não pense por um minuto que eu não te amo, eu amo, do jeito que se ama ao ver uma foto antiga, que enche a boca de sorriso e os olhos de lágrimas, e escapole sem querer 'tempo bom que não se voltar mais', seguido de 'eu era feliz e não sabia'. Se cuida. Deixei sobras do macarrão de ontem na geladeira. Trouxe comigo sua camiseta cinza. Espero que algum dia a gente se perdoe.'
terça-feira, 3 de maio de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
o nosso tempo
Tava lendo um artigo que alguns estudo apontam que o horário que estamos mais felizes é sábado a noite, não lembro a hora certa mas por volta das 7 e alguma coisa. Aí lembrei de um sábado nosso. E comecei a me sentir mal. Como nós fomos tão ingênuos em achar que o mundo nos deixaria ser tão felizes que incomodava os transeuntes? Sentados naquele bar, não existe nada além da nossa mesa, eu e você, naquele seu vestido amarelo que eu te comprei. Você brilhava, me enchia. E eu estava tão entorpecido que qualquer gole seria além da conta, porque com você, eu permanecia em estado de embriagues amorosa. Lógico que a gente se divertiu, cantamos velhas músicas e comemos batatas gordurosas. Antes de chegar em casa, lembro como se fosse agora, segurei seu queixo e te beijei. Você levantou os calcanhares para ficarmos mais próximos. Se eu fechar os olhos ainda consigo sentir. E era assim, foi assim. Foi lindo e é o que guardo de você, pequena. Não guardo as nossas brigas ou as noites dormidas no sofá. E só pra você saber, caso mude de ideia, a chave ainda está debaixo do carpete.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Não.
'Porque se não fossemos tão humanos não sentiríamos tanta dor, por outro lado, nem tanto amor. Aquele misto dolorido de querer bem e querer longe, a luta entre fica mais e estou indo embora. Sem saber como lidar, a apatia pode ser uma solução simples e imediata. Quando as forças secam, o que pode te fazer bem é simplesmente não ligar mais. E não ligar mais pode ser o sintoma mais triste de uma doença que raramente tem cura, o fim. Não queria mais sonhar, queria viver um pouco mais. Talvez a solução seja seguir, ou quem sabe apenas deixar de seguir. Colocar os pés na areia, desenhar um coração com apenas uma letra, a minha. E gritar ao mundo que as dores estomacais estão atacando. O motivo é aquele velho conhecido. Velho somos nós, que não queremos mais lutar, tendo apenas a vontade de ter o controle remoto num domingo a tarde. As dores vão e voltam. E eu também. Com medo do inseguro, me prendo no conformismo. Com a cabeça pesada, vou deixando o rio seguir seu rumo, por que cá pra nós, decisões não são o meu forte.'
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