domingo, 22 de agosto de 2021

existe amor em sg

E foi assim, depois de meses eu vi seu rosto iluminar com a minha chegada de surpresa. Senti o ar com os ventos ao contrário, o tipo de coisa que só acontece quando o amor está no ar. Eu disse que não queria ir embora, mas eu fui. Com o coração batendo tão forte que eu ouvia meu ritmo cardíaco, eu quis voltar. Em todos os sentidos, queria voltar no tempo, nos passos, voltar para seus braços, voltar para nós. E isso também ficou no ar. Eu já sabia, você já sabia. Este livro tem mais capítulos a serem escritos.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

resistência

O amor não acaba, ele existe em um amontoado de coisas. O amor está num vidro de perfume quebrado, está num chocolate com Nutella. O amor mantém numa carta escrita à mão ou numa imagem compartilhada por tantas pessoas. O amor mora num pote de coxinha, no trilho do trem. O amor mora na pesquisa de um telefone novo, num relógio no braço, no chaveiro da mochila. O amor troca a rota do carro, troca a foto que estava no porta retrato e guarda na gaveta. O amor escolhe outra cor de caneta da agenda, escolhe outro lugar para conhecer, mas ele está lá. Porque amor não acaba, ele muda para outro cômodo, e fica esperando se vai morar lá de vez ou se vai ver a luz do dia, espera pacientemente até que você decida o que vai fazer dele. Porque o amor é mais forte que nós, ele sobrevive onde nós juramos que não havia mais nada para florescer.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

O tempo nos dirá

Um dia alguém me enviou uma imagem com palavras escritas "você é uma frase bonita dessas que a gente sublinha no livro faz tatuagem, conta pra pra todo mundo, dessas que dividem a gente em antes e depois". Hoje, exatamente hoje eu cruzei com essa mesma imagem, sublinhada. E sem pensar, mandei de volta para a mesma pessoa que me enviou há alguns anos atrás. Parece outro mundo, outra vida, e tem tão pouco tempo. Os dias estão passando de uma forma que nunca haviam passado, lentamente, fazendo com que cada sentimento seja vivido, ao mesmo tempo que está indo rápido, desgovernado, e aumentando a distância entre cada marco da vida. Sempre fui uma pessoa que gosta de pessoas, mas nesse momento, nem de mim tenho gostado. É que os gritos presos na garganta estão sufocados, e ninguém mais usa lenço para oferecer quando as lágrimas rolam. A mão treme e fica difícil segurar a colher do doce. O gosto lembra outro doce, o doce momento compartilhado no passado. Ao passo que o futuro se torna palpável, ele se distancia, não é o desejado, mas é o real, e com ele o medo, de não poder somar, de não ser mais, de reconhecer o presente. Eu fui embora, mas eu queria ter ficado, e feito aquela tatuagem, e contado para todo mundo, e lido de novo, sublinhado, escrito na agenda, porque dividida eu já sou, desde o momento que te amei.