sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

[pedaço]

E ele me fez prometer segredo absoluto, me fez prometer por uma alma que eu não julgava ter. Eu pude perceber que seus olhos brilharam mais do que em qualquer outro momento, mais até do que quando viramos aquelas tequilas, devagar, se aproximou e com sua voz mais doce, disse: eu sou um anjo.
Eu devo ter entendido errado, não, claro que entendi errado.
-Um anjo?
-Sim, de castigo, mas ainda um anjo.
Ele falava cada palavra calmamente e então eu percebi que era verdade. E que eu estava com as pernas bambas por mais de um motivo. O segredo dele poderia ter sido o quanto ele estava apaixonado por mim, mas não, ele era alguma coisa que não era normal, e eu sentia borboletas no estômago. Muito egoísmo o meu, pensar nas borboletas enquanto ele dizia algo tão sério.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

prisão domiciliar

E agora, o que é que vamos fazer? Houve o tempo de distanciamento e, que digo de passagem, foi o melhor no momento, evitou muitas dores. Passado muito tempo, sem ninguém pedir desculpas, sem ninguém procurar ninguém, tava lá, as duas de novo. As duas. Nós duas. Vai dizer que consegue me responder o que foi que a gente fez no passado que nos prende tanto assim? Eu não sei. Eu não imagino o que foi que vivemos de tão importante, de tão grande e perfeito que nos fez ficar presas assim, não que eu esteja reclamando, mas eu só consigo me lembrar que fomos amigas, amigas como qualquer outra pessoa foi, como irmãs que nasceram de mães diferentes. Amigas sem medida, sem madrugada, sem hora pra desligar o telefone e guardar a agenda. Amigas que compartilharam tudo, que viveram juntas e que brigaram e muito. Que não aprovavam todas as atitudes da outra, repreendia e às vezes se ausentavam. Nem sempre juntas fisicamente, mas sempre em pensamento, em preocupação.
Mas é claro que tenho todas as cartas, as agendas e as fotos. Nem todas as fotos porque sempre meus computadores dão problema e eu não consigo salvar tudo antes da pane. Tenho todas as tardes de mãos dadas, os filmes, os cds. Mas não sei o que fazer disso, porque sempre achei que isso era comum quando se tem um amigo, as coisas ficam, as pessoas mudam e pronto. Por que não acontece assim nesse mundo nosso? Sei lá, tem hora que parece que a gente nasceu pra ser arqui inimigas, e volta e meia quando menos espero, você está lá, sendo a amiga que eu tinha. Não sei o que aconteceu pra amarrar dois destinos assim, e confesso pensar bastante nisso. Mas eu fiz questão de deixar claro que o caminho está livre, que eu não tenho ressentimentos e que você pode sim falar comigo. O que vai acontecer agora eu não sei, mas pelo que estou contando, estou dando meu segundo passo em sua direção.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

atraso

Meio assim mesmo, atrasada. Atrasada com meu balanço anual e com todas as outras coisas que eu devia ter feito. Devia já ter comprado minha agenda, já devia ter mandado revelar umas fotos, isso sem falar com o estudo que já devia estar fazendo para a oab e o inss. Estou atrasada mesmo, com a prestação de contas do escritório, com o compromisso com um padrinho e com meus seriados. Mas não quero ficar em dia. Não quero isso não. Estava mais era querendo um bom lanche, um bom campari e uma boa compania. Pra ter aquelas boas conversas atoa. E não é que estou sentindo muito mais falta do que achei que sentiria? E não é que não consigo procurar nada nem ninguém, estou na inércia. Sonho com a faculdade, que tinha que voltar lá, resolver coisas não resolvidas. Sinto tanta falta de um estacionamento quanto de ar.

Com muita falta de 2011, ano inesquecível, eu cumprimento 2012, e que sim, tomara que o mundo acabe esse ano, assim sei que vou morrer feliz.