Ela era aquele tipo de rascunho, mal acabado, com algumas linhas rabiscadas e setas mostrando que algumas coisas deviam ser mudadas. E preferia deixar assim, talvez algum dia ela resolvesse fazer diferente. Talvez. Passar a limpo sempre a deixava triste porque mostrava erros, e ela vivia cheia de curativos, tinha medo de abrir algum ponto. Traduzia a vida em palavras que não capturavam a essência dos joelhos ralados ou do travesseiro molhado. Ela era, provavelmente, a coisa mais linda e mais triste que já conheci. E me encantava com cada deslize seu. Tinha vontade de secar suas lagrimas com beijos, de tomar sua dor numa dose e entorpecer com seus soluços. Eu queria cuidar daquela obra severamente não acabada. As bagunças me atraem, talvez porque eu tenha essa mania insana de querer colocar o mundo em ordem, como se as pessoas tivessem frequências diferentes e eu fosse capaz de equalizá-las. O sorriso torto me fazia queria alinhar as estrelas pra ela sorrir. Eu sabia que o seu coração tinha vários espinhos e que vez ou outra, eu sairia machucado, e isso não me impedia de querer cada vez mais ser seu salva-vidas. Queria vê-la correr aos meus braços, pedindo cafuné e carinho, como se só o meu colo fosse remédio para suas angústias, como se só ao meu lado ela pudesse dormir sem pesadelos e assim, que ela não temesse mais nada. Mas, assim como todas as confusões que ela era, ela me perdeu no processo, e quase como efeito de criptonita, eu me vi enfraquecer diante dos seus olhos turvos. 'Eu tentei pequena, tentei nos salvar'. Ela sabia que sem as forças dela, era inútil eu tentar. Deixei sua bagunça, parti deixando a porta aberta, torcendo pra que se ela não conseguisse encontrar alguém mais forte, que ela me gritasse corredor a fora, talvez usássemos um corretor ortográfico, e então eu te editaria, porque é mais fácil eu te ajudar do que limpar minha própria vida.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
A arte da auto-sabotagem
Como sempre, esta sou eu, a pessoa que mais duvida das coisas boas, que torce 24hrs por elas, mas quando está tudo bem, eu sou a primeira a caçar defeitos. Queria mesmo era entender essa minha necessidade de estar triste ou preocupada, parece que em algum lugar da minha mente errada, o certo pra mim é sofrer. Talvez eu tenha lido em algum lugar que todos os escritores tem um lado sombrio. É que às vezes eu acho que não mereço ter aquilo que eu mais quero: a felicidade. Quando se tem 20 e poucos essa tarefa é super fácil, coisas difíceis e problemas surgem a todo momento. Aí você tem 20 e tantos e os problemas amenizam, aí você cria alguns absurdos pra não sair da rotina. Ou para me sentir mais adolescente problemática, que diga-se de passagem, eu levei bem a sério essa coisas de rebeldia. Eu me recuso inconscientemente o tempo todo a ter a idade que eu tenho, não me sinto preparada para fazer coisas que já devia ter completado há anos. Essa sou eu. Síndrome de Peter Pan. Ou talvez só queria ser a Sininho. A fantasia me convida a ignorar o mundo, e aí vou criando bruxas e maldições no meu conto de fadas. Sou tão prejudicial a mim que ao contrário de montar o sonho perfeito com cerquinha branca na frente da minha casa de campo, eu crio fantasmas e desastres, o meu maior inimigo sou eu mesma. Pode ser que eu não saiba viver feliz, com a vida seguindo tranquilamente o fluxo devido, ou talvez a minha felicidade seja atravessar meus medos, só sei que dói viver assim, nessa luta constante, onde eu vou perder e ganhar de mim, até eu me encontrar.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Outra direção.
fiction
Vou contar de uma paixão que tive. Uma paixão que mexeu comigo, uma mulher que me fez cantarolar no banho. Ela era simplesmente linda. E simples mesmo. Fora de qualquer padrão, ela só era isso. E conversar com ela me fazia colocar a vida nos trilhos. Ela me fazia pensar. E como sou meio impulsivo, fiz uma ou outra coisa sem pensar, entrei em caminhos sem volta, com e sem ela. Mas com ela, parecia ser leve. Ela falava algumas coisas e eu devorava suas palavras, pra absorver o máximo que podia. Eu sabia que ia ser temporário. E cada toque, era como os tantos sonhos com ela. Ela era tudo o que eu precisava. Só não era minha. Nunca seria. Ela vivia a vida muito diferente de mim, éramos de mundos diferentes que se cruzaram por um breve tempo, a ponto dela me mudar. Hoje vejo as mulheres de uma forma diferente dos outros homens. Elas são lindas, e mais do que isso, existem muitas interessantes, com conteúdo. E isso encanta mais que beleza. Ao mesmo tempo que são sensíveis, conseguem enxergar o mundo de forma fria e calculista. Os nossos caminhos continuaram, cada um para seu lado e ela foi viver, livre. Eu conheci várias outras mulheres, que procurei o jeito dela em cada uma. E não achei. E não vou achar. Mas obrigado gata, você me fez ser maior. Se cuida, onde quer que você esteja.
Assinar:
Postagens (Atom)