quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Abalo

Pra não dizer que foi a coisa mais difícil que me aconteceu, diria que foi no mínimo diferente.
Eu não tinha a menor intenção de sair, estava de pijama e até sentia dores de cabeça. E pra falar a verdade, eu já tinha até tomado um copo de leite com toddy para ir me deitar.
Mas foi aí que o telefone tocou, não era tão tarde, mas já não eram horas de ser incomodada.
Deixei ele tocar mais duas vezes, pra ter certeza de que o incómodo valeria.
Atendi ainda pensando nas horas, quando vi que a voz do outro lado deu um suspiro de alívio ao ver que era minha voz que disse um alô sonolento.
- Eu preciso te ver. - Depois de um longo silêncio foi tudo o que eu ouvi.
A ligação caiu antes que eu conseguisse assimilar aquilo. Minhas mãos suaram frio, eu fechava meus olhos tentando voltar no tempo, antes do toque do telefone. Não consegui, aquela voz era tão familiar e me fazia tão bem que o máximo que pude fazer foi marejar os olhos enquanto tirava o pijama.
Eu precisava ir ao encontro dele, sem saber ao certo porque, coloquei a primeira roupa que vi, minhas velhas botas e meu casaco preto. Aos poucos eu tentava pensar que ele estava me chamando para dizer que me ama, que já não haviam mais problemas e que agora sim, era nossa hora. Eu só pensava isso para me confortar, ele estaria me ligando por qualquer outra razão.
Atravessei a cidade, passando pelo lugar onde minha mãe sempre disse pra manter distância, naquela hora eu sequer lembrei disso.
Cheguei na porta da casa dele, ensopada pela chuva e pelo suor da corrida. A luz do quarto dele estava acesa, eu podia ver de lá. Abri o portão, que tantas vezes ele abrira pra mim, entrei puxando ar pro coração desacelerar. Passei pela sala, casa vazia. Lá no quarto, jogado na cama, estava ele. As mãos tremiam, e eu ainda não sabia porque. Ainda não sabia também se eu tremia mais que ele.
Sentei no chão, ao lado da cama, segurei sua mão pensando na hipótese de viver ao lado dele.
Foi aí que eu vi, talvez ele tivesse deixado pra eu sentir mais raiva e ir embora, ou mesmo para eu saber o que estava acontecendo. Um prato, uma caneta sem o miolo, e restos de pó. Pra não chorar, olhei pra ele, seus olhos parados, pro teto, gritando lá dentro. Vi que ele começava a ver o que estava acontecendo, sem entender como ele tinha conseguido me ligar, concentrei-me em dizer que estava brava por aquilo, que não queria que isso se repetisse nunca mais. Falava tão devagar, que parecia estar dando instruções de como seria de agora pra frente.
Eu sentei na cama, ele deitou no meu colo. Chorei enquanto ele não via, aos poucos ele dormiu, e eu devo ter dormido também. Voltei pra casa antes que o céu ficasse claro demais para ser reconhecida.

*fiction.

5 comentários:

Anônimo disse...
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Maria Teresa Pereira Xavier disse...

Não entendi muito bem mais sei que vai ter uma bela carreira artística por tudo principalmente pelo livro que vc está escrevendo achei muito bonito espero que isto não aconteça mais eu gostaria muito que não achei muito bunito.


=)
;)

Isabela disse...

que post lindo! continue assim, dará num belo livre de romance. sucesso! ;)

Diego Albanez disse...

:-|
Sem palavras...

*Pri disse...

Minha cara, o mundo precisa de inspiração assim!
Arte à humanidade carente de pensamento!